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PUBLICAÇÕES

Lançamento: Ativismos alimentares e politização da alimentação



Nos debates contemporâneos sobre transição para sistemas alimentares sustentáveis e saudáveis, uma das questões centrais diz respeito às contribuições que os movimentos sociais e ativistas podem aportar para a construção de novos formatos de ação pública. No Brasil, esse tema ganhou ainda mais relevância em virtude do agravamento da insegurança alimentar entre 2020 e 2023, como efeito articulado da emergência global de saúde (covid-19) e do desmantelamento, pelo governo Bolsonaro, de importantes programas no âmbito da segurança alimentar e nutricional, tais como aqueles de apoio à agricultura familiar e de garantia do acesso aos alimentos para as populações mais vulnerabilizadas. O agravamento do problema alimentar esteve no centro da agenda de movimentos sociais, organizações da sociedade civil e ativistas que, com o objetivo de fazer cumprir o direito humano à alimentação, ampliaram e diversificaram suas ações voltadas à promoção do acesso à alimentação adequada. Além disso, registram-se as ações desses e de outros grupos no que se refere às chamadas pautas estéticas, ou seja, aquelas que buscam promover alimentos artesanais, tradicionais e de origem conhecida, valorizando o sabor, a cultura alimentar e as receitas e técnicas de preparo, além do cozinhar e da sociabilidade em torno da mesa.


Na literatura internacional sobre sistemas alimentares, também pode-se verificar uma preocupação renovada com o papel das cidades e, particularmente, das grandes metrópoles, na promoção de sistemas alimentares sustentáveis, saudáveis e justos. Dentre as várias razões para o redirecionamento desse debate que, até então, estava quase exclusivamente voltado ao mundo rural e à agricultura, destacam-se a velocidade dos processos de urbanização e da concentração da população global nas áreas urbanas, o reconhecimento do consumo como motor de importantes mudanças nos mercados, o recrudescimento de doenças crônicas vinculadas à má alimentação — particularmente nas periferias das grandes metrópoles — e a dificuldade de implementar políticas de planejamento urbano que incorporem a agricultura e a alimentação como mecanismos de adaptação às mudanças climáticas.


Em virtude desses pontos, esforços de pesquisa e inovação têm se constituído com vistas a compreender as interfaces entre ativismos alimentares e novas formas de ação pública. Com vistas a contribuir nessa mesma direção, em 2022 iniciamos o projeto "Ativismos alimentares e politização da alimentação: uma análise comparada das interações entre movimentos sociais, mercados e políticas públicas nas regiões metropolitanas brasileiras", financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O objetivo do estudo era identificar e analisar estratégias emergentes de ativismo alimentar e sua relação com um fenômeno mais amplo de politização da alimentação no contexto de nove capitais brasileiras: Belém, Manaus, Natal, São Luís, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Esses casos foram selecionados tendo em vista três critérios: a diversidade das dinâmicas regionais brasileiras; a expertise acumulada pela equipe em pesquisas anteriores, o que permitiu acelerar os ganhos de aprendizagem; e a trajetória histórica dos movimentos e das políticas alimentares nestas cidades.



 
 
 
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