“Ventos do Norte não movem moinhos”: tensionamentos da Ciência nos ESCT desde a América Latina
Marília Luz David
Paulo de Freitas Castro Fonseca
Este artigo propõe um balanço interpretativo dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia (ESCT) desde a América Latina, examinando como essa literatura tensiona e reformula concepções de Ciência. Partindo da discussão sobre inflexões epistemológicas e metodológicas centrais da produção canônica dos ESCT no Norte Global, exploramos algumas das principais linhas de contribuição dos ESCT desde a América Latina para as concepções de Ciência. Para tanto, discutimos o PLACTS, passando pela proposta de Tecnologia Social e debates sobre ciência periférica, integração subordinada e periferização, para chegar às críticas ao desenvolvimento, à modernidade/colonialidade e aos debates sobre conflitos ontológicos, pluriverso e Antropoceno. Sustentamos que os ESCT desde a América Latina renovam interpretações sobre a Ciência, reinscrevendo-a na história da colonialidade, das hierarquias epistêmicas e da produção moderna de mundo, e, simultaneamente, imaginam outros modos de produzi-la, abertos a diferentes formas de conhecimento e projetos de mundo.
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