As formas de (Re)existência da fome : contextos de insegurança alimentar de famílias dirigidas por mulheres negras no complexo do Campinho, Rio de Janeiro
Ana Beatriz Lopes
Maycon Schubert (Orientação)
A presente dissertação analisa o contexto de Insegurança Alimentar e Nutricional (IAN) de famílias dirigidas por mulheres negras no complexo do Campinho, no Rio de Janeiro. A pesquisa teve como objeto de análise as práticas sociais alimentares performadas por quatro mulheres, nas dimensões da família, trabalho e abastecimento. Encontram-se as práticas na dimensão familiar: do cuidado, afeto, violência e preparação culinária; na dimensão do trabalho: práticas do trabalho, do sustento e do reciclar; na dimensão do abastecimento: práticas do racionamento, práticas do abastecimento/compra, práticas do descarte, práticas de reaproveitamento. Esta dissertação utiliza como referencial teórico a teoria das práticas segundo Shove et al., (2012) e interseccional proposta por Gonzalez (1984) e Jesus (2018). O método de pesquisa escolhido foi a utilização de entrevistas semiestruturadas e observação direta das mulheres. Apresenta-se a premissa que os contextos de IAN destas mulheres não apenas refletem as marginalidades múltiplas de raça, gênero e classe econômica a que estão submetidas, mas estão sendo formados por estas marginalidades múltiplas. Conclui-se que as marginalidades múltiplas forjam os contextos de IAN de famílias dirigidas por mulheres negras. Ademais, apontou-se uma ligação bidirecional entre contextos de IAN e violência por parceiro íntimo, indicando um caminho para a expansão desta pesquisa. Ademais, articula-se a teoria das práticas com a interseccionalidade apresentando uma nova perspectiva na pesquisa social, aprofundando o entendimento de como o racismo, discriminação de gênero e o sofrimento alimentar formam os corpos e o efeito da violência por parceiro íntimo e urbana nesse processo. A violência urbana apresenta se como um componente importante para o entendimento dos contextos alimentares apresentados, regulando o ir e vir das mulheres e causando eventos disruptivos em suas vidas, além de influenciar o seu acesso a mecanismos institucionais voltados para a segurança alimentar e nutricional.
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